No dia em que o Sá pedia compromisso e exigência, os jogadores escolhidos por Marco Silva para defrontar o Espinho foram sérios e concentrados ao longo de 90 minutos. Não facilitaram e não deixaram de “meter o pé”, mesmo tendo em conta a forma pouco ortodoxa como os jogadores espinhenses se faziam à maioria dos lances (o chamado estilo “a bola é tudo o que mexe”).

A primeira parte teve pouco brilho e foi jogada em ritmo morno. As baterias alimentadas a ilusão que alimentavam os tigres, estavam com carga máxima e a equipa branca e negra conseguia ocupar bem os espaços no seu meio-campo. O Sporting alternava a bola de um flanco para o outro, à procura de espaço, mas imprimia pouca velocidade ao seu jogo. Capel e Mané eram os mais inconformados, João Mário procurava dar alguma classe e dinâmica, Rosell mostrava que para ele não há jogos a feijões. O golo surgiu de forma natural, mas o cenário só se alteraria nos últimos cinco minutos da primeira parte, altura em que o Sporting resolveu acelerar e colocou em pânico a defensiva espinhense. Foi uma espécie de pronúncio do que viria a acontecer no segundo tempo.

Curiosamente, até foi o Sporting de Espinho a fazer figura no recomeço. Cheirou a perigo (só isso, cheirou), mas o dito cheiro apenas durou cinco minutos. André Martins soltou-se e começou a desmantelar as fileiras defensivas do adversário. Rosell falhou a recarga a um remate do pequeno André, mas o golo surgiria alguns minutos depois. Fantástica leitura de jogo de Montero, a desmarcar Mané e este, claramente uma das figuras do jogo, a mostrar estar a atravessar bom momento, colocou a bola na cabeça de Capel. 0-2 e ponto final no jogo. A partir daqui, a nossa equipa mostrou a tal exigência e o tal compromisso. Exigência para com eles, que não geriram esforços, compromisso para com a onda verde de adeptos que deu ao velhinho estádio uma moldura humana como há muito não experimentava (e eu a olhar para as claques, atrás da baliza, e a perguntar-me “quando é que tapamos a merda do fosso e trazemos as bancadas até ao relvado?»).

Capel esteve perto de repetir os festejos, mas viria a ser Fredy Montero, liberto de posicionamentos mais fixo pela entrada de Tanaka, a abrir o livro. O terceiro golo é uma verdadeira obra de arte: duas fintas curtas só ao alcance de alguns e um remate furioso, sem ângulo, que teria levantado cabelo se o redes usasse peruca. Levantaram-se os adeptos, mesmo os que nunca se sentaram, e partiram para 20 minutos finais de cânticos que embalaram o golo de Tanaka (simbólico, o facto de ter sido Montero a entregar-lhe a bola para bater o penalti) e o bis de Fredy, verdadeiro pesadelo para os tigres. Houve, ainda, tempo para a estreia do menino Podence e para uma brutal bicicleta de Esgaio, que não merecia ter sido apanhada em fora de jogo (ó Ricardo, um gajo que convive, diariamente, com o Dramé, tem de aprender o momento exacto de usar uma bicicleta!).

Missão cumprida e bem cumprida e espírito de grupo reforçado. Agora é ganhar ao Maribor, na terça-feira, episódio do meio de uma sequência de três jogos para afastar “o mau olhado”.

monteroche