Alguns não sabem mas Marco Silva foi director-desportivo do Estoril em 2010. Ficou responsável pela construção do plantel com dinheiro do novo investidor, a brasileira Traffic. Ficou também conhecedor dos esquemas de compras e vendas de jogadores, bem como as relações com empresários e fundos.

Depois de bom desempenho no Estoril, chega ao Sporting com ilusão de poder vir a ser um dos melhores treinadores portugueses, mas nada se tornou senão um palerma insolente que desconhece por completo o conceito de hierarquia de cargos. E foi precisamente na construção do plantel que a animosidade de MS com a estrutura do Sporting começou. MS vinha com hábitos questionáveis e queria construir à sua maneira, com as suas escolhas, as suas comissões, dos seus empresários e fundos preferidos. Apanhou um Sporting em 2º ano de contenção financeira, e com um Presidente escaldado com a selva de negociatas que reinava em Alvalade. Fodeu-se.

Nas conferências de imprensa dá-se o começo da estratégia com que MS tentou manipular os Sportinguistas. A imagem de santinho para o exterior, e a criação da ideia ‘treinador-plantel VS Presidente’, rodando o ponteiro do comprometimento a seu prazer para que Bruno de Carvalho passasse a ser visto como o “mau da fita” e ele como o génio injustiçado. Isto, meus caros, é finura de quem já é ‘mais velho’ nos bastidores do futebol.

Para além de um merdoso 3º lugar na Liga foi notório o desconhecimento total sobre o DNA do Sporting Clube de Portugal, indo buscar, durante a pré-época, um único jogador à equipa B: Tobias Figueiredo. Os outros que usou no plantel já vinham da fornada de Leonardo Jardim (ou seja, teve de levar com eles). Tivesse tido carta-branca para comprar o que queria, provavelmente não teria usado nenhum ‘canterano’.

Para a história ficam os recados pela comunicação social, Doyen, e conferências de imprensa como esta:
“Não foi uma semana fácil, (…) Não me agradou, (…) são jogadores fundamentais para nós, (…) os jogadores não gostam, eu como líder desta equipa… também não é agradável, (…) suspensão de Rojo e Slimani não foi uma decisão minha, (…) A conversa que existiu foi possivelmente com o presidente ou com alguém da direcção (…) Antes de mais são decisões do Sporting. Acho que isto é o mais importante de referir. Dois dias antes de isto acontecer estava a elogiar os jogadores, por isso não tem nada a ver comigo”.

Tamanha irresponsabilidade e cinismo só poderiam resultar no seu despedimento por justa causa. E foi isso que aconteceu, com direito a indemnização choruda (350 mil euros). Mostrou ser um lobo com pele de cordeiro, sem coragem para enfrentar o Presidente cara a cara, refugiando-se em amigos da comunicação social e CEOs de carácter duvidoso de fundos de investimento.

É por esta altura que surge o tal sintoma de ‘dor de corno’, que só se mantém na cabeça de idiotas que sobrepõem os seus gostos/interesses à sobrevivência do Sporting Clube de Portugal. No fundo, não passam de indivíduos com o mesmo tipo de entropias que Marco Silva desenvolveu, daí se reverem na pessoa.

A grande consequência disto tudo foi o aparecimento do “produto do sistema lampiónico”, leia-se por outras palavras, “contratação de um gajo com praticamente 25 anos de carreira que não passa de uma farsa”. O grande problema aqui não foi o Sporting ter visto a oportunidade em Jorge Jesus, e Jorge Jesus ter visto a oportunidade no Sporting. O grande dilema para os ‘aziados’ é que o Sporting foi buscar uma pessoa pela qual nunca nutriram admiração (mesmo antes deste ter sido treinador do carnide). Diziam eles que “não sabia falar português”, faltava-lhe modéstia  e era “vaidoso” e por isso nunca teria os predicados para treinar o Sporting. Aliás, muitos deles desconheciam o facto de Jorge Jesus ser Sportinguista dos sete costados e apelidavam-no de lampião. Marco Silva, esse sim, um grande Sportinguista (com cartão de sócio do carnide) é que era bom.

Dois anos após a eleição de Bdc e face ao insucesso de MS na conquista do campeonato nacional renasce a conversa da ‘inexperiência do plantel’ aliada à impaciência causada pelas ‘dores de crescimento’, e assim, o palratório sobre uma equipa 100% Alcochete passa instantaneamente para segundo plano. “Isto não lá vai com miúdos…”, “É preciso intercalar jogadores ‘já feitos’ com os putos das escolas”, “Já viram bem a equipa do carnide?”, “E a média de idade da equipa do porto?”

BdC responde aos apelos e reforça o plantel com jogadores experientes. Aparecem Bryan Ruiz, Teo Gutiérrez, Naldo, Ewerton, Coates, Barcos, João Pereira, Schelotto, Aquilani, etc. Sporting e Jorge Jesus batem o recorde de pontos alguma vez conseguido em 110 anos de história: 86 (oichencha e cheis). Dois pontos separaram-nos da glória, em ano de vouchers. Atrás, uma Supertaça no bolso ganha ao Manco Vitória. Na Taça de Portugal, derrota por 4-3 com o Sporting de Braga nos 1/8 final e dois golos legais anulados aos de verde-e-branco. Na Champions é derrotado pelo colinho ao CSKA Moscovo, e na Liga Europa cai ingloriamente nos 1/16 de final com os alemães (novamente) do Leverkusen depois de passar em 2º no Grupo H, atrás de Lokomotiv e à frente de Besiktas e Skenderbeu.

Ano e meio mais tarde, volta a insurgência dos adeptos irresponsáveis. De volta está também a ideia do “100% Alcochete” e fora o entulho de ’estrangeirada’. O ciclo de pensamento está completo: primeiro queriam bebés, depois queriam homens, agora não querem os ‘velhos’ (Bryan Ruiz é o próximo patinho feio).

Põem tudo em causa, mas o que Bruno de Carvalho tem feito até agora, não tem sido mais do que o que os Sportinguistas pediam.
– Queriam um programa progressista, ele deu um
– Queriam um treinador especial, ele deu três
– Queriam um pavilhão, está ao virar da esquina
– Queriam cláusulas competentes para os profissionais do Sporting? “inventou” as de 60M
– Queriam jogadores ‘Made in Alcochete’? mais de 20 em 4 anos
– Queriam jogadores experientes? foram comprados
– Queriam ponderação nas comissões pornográficas que se pagavam em Alvalade, ele agiu
– Queriam equilíbrio nas contratações com apostas em jogadores seguros ou não muito caros, atendendo à possibilidade de serem contratações falhadas? Estão aqui os flops: Piris, Maurício, Vitor Silva, Magrão, Tanaka, Sacko, Dramé, Enoh, Matias Perez, Welder, Sarr, Rossel, Rabia, Shikabala, Slavchev, Héldon, Gazela, King, etc, – todos juntos não dão um Pongolle e muitos foram vendidos por valores iguais ao da compra e outros deram lucro
– Queriam redução de custos, toma
– Queriam resultados trimestrais positivos, arrebita
– Queriam potenciar receitas, engole
– A Loja Verde era grande, dispendiosa e usava escadas rolantes? Parece um ovo cheio em dia de jogo
– o Alvaláxia? Estás com fome vai ao Lidl, no resto fecham-se as luzes para não gastar
– Número de sócios? Mais de 150k
– Assistências no estádio? Média recorde nas bancadas, mais de 900k em 2015/2016 (total de época)
– Títulos? Mais de 30, em todas as modalidades
– Modalidades? 50, investimento triplicou
– Transferências milionárias? Toma lá quase 60M de euros e para o ano há mais

Entre isto tudo ainda herdou dossiers como Labyad, Tiago Illori, Bruma, Bojinov, Rojo, Elias, a irreverência de Jefferson e Slimani, Doyen, mais o cascalho todo do Carlos Freitas e Luís Duque, a restruturação financeira, a parcialidade do Football Leaks, rescisões de chulos que deslizavam por Alvalade e Academia, e o constante ‘mimimi’ dos croquetes corridos de Alvalade.

Na óptica de alguns qualquer indivíduo que não seja manso não serve para o Sporting, e cabe que nem uma luva no Carnide. Ou seja, por um lado comentavam o facto de serem enrabados por toda a gente durante anos a frio, e por outro criticavam a apatia reinante em Alvalade. Criticavam a apatia de Soares Franco, a apatia de Pedro Barbosa como director-desportivo, criticavam a linguagem neutra, e no processo ainda tiveram tempo para criar a noção de “aversão ao politicamente correcto”. Num dia pediam Sá Pinto, noutro pedem descrição. Num dia queriam um líder energético, agora fazem comentários irónicos aos “posts de Facebook”. Quando aparece um gajo que mete os pontos nos “is”, criticam a sua determinação e fervor.

Estou farto de o escrever por aqui: esta gente não sabe o que quer e nunca soube o que quis!

Resta aos sócios e adeptos que sabem, ser o core da massa adepta do Sporting Clube de Portugal. Os outros devem dedicar-se ao FarmVille e parecidos, porque não passam de ADEPTOS DA ETERNA DEPRESSÃO LEONINA (AEDL).

Há mais. ADOPTARAM como suas filhas novas teorias ‘ludibriosas’ com origem no “sistema lampiónico”, que tanto dizem abominar. Lembro-me da campanha mais suja de que tenho memória contra um treinador de futebol em Portugal. Mal se soube que JJ iria assinar com o Sporting, o plano de assassinato de carácter entrou em acção. Ao dele, e ao do Presidente. E por arrasto o Sporting, sempre o Sporting, desgraçado.

Surgiram as manchetes, os artigos de opinião, os comentários de tv, as entrevistas nas rádios, até putas e paneleiros das revistas ‘cor-de-rosa’ passaram a ter opinião formada sobre os temas mais específicos de futebol. Gajos que levam uma vida a comer no rabo subitamente transformaram-se em ‘doutorados da bola’. Tudo matéria aldrabada, com vista à desinformação e manipulação de pessoas com cabeça fraca (muitos deles que já vinham ‘aziados’ do episódio Marco Silva).

“Jesus não aposta na formação dos clubes que treina”
Jesus raramente apostou nas escolas do Carnide porque todos os talentosos do Seixal foram vendidos por dívidas do Vieira ao Jorge Mendes. Dizer isto, o Rui Gomes da Silva não diz, esse anão cobardolas.

“Jesus faz os presidentes reféns”; “Jesus ganha comissões astronómicas com compra e venda de jogadores”; “Jesus tem personalidade difícil e sua relação com BdC não dura 2 meses”; “Jorge Jesus desresponsabiliza-se na altura dos insucessos desportivos”; etc.

Só faltou chamar Satanás e mesmo isso ainda está para vir.

A semelhança entre o discurso de Sportinguistas ‘aziados’ e o do ‘sistema lampiónico’ é real.
Um Ribeiro Cristóvão é um Rui Gomes da Silva, um Pedro Guerra não passa de um holograma do Barbosa dos Reboques, e os outro todos, Simões, Isabel Trigo Mira, Dias da Cunha, André Ventura, José Roquette, João Gobern, Soares Franco, Jorge ‘Calimero’ Baptista, Salema Garção, Godinho Lopes, José Eduardo Moniz, Octávio Lopes, Rui Pedro Brás, José Manuel Delgado, Paulo Farinha Alves, Octávio Ribeiro, Paulo Pereira Cristóvão, Ricardo Palacin, Nuno Farinha, Porco Gil, Camilo Lourenço, Luís Bernardo, Jaime Antunes, José Calado, José Nuno Martins, João Gabriel, os avençados do Conselho de Arbitragem e de Disciplina, e cinquenta mais, são um elaborado milkshake de merda atómica que origina a conspiração a que todos assistimos diariamente.

Dos ‘mainstream media’ para os blogues foi um passo e hoje, aqui na Tasca e noutras plataformas, um Sportinguista ‘aziado’ partilha a mesma opinião que muitos do escribas rivais. Ponto por ponto, mentira por mentira. É crucial que quem pede ao Presidente um passo atrás e veja a ‘big picture’, dê também o seu e analise o seu comportamento.

O que BdC fez nos primeiros anos de mandato não é diferente do que tem feito agora, a diferença é que há mais dinheiro, e havendo mais dinheiro há mais investimento. O Sporting de hoje é um clube que cumpre com as suas dívidas e não sofre pressões da UEFA, outrora intimidado com um pontapé no rabo para fora das competições europeias. O Sporting de hoje rege-se pelos básicos princípios do ‘deve e haver’.

A mais recente vaga de contratações para o futebol sénior é prova disso mesmo. Queriam mais carne no assador, meteu-se mais carne no assador. Junto disso veio o que vem em todo o investimento: o risco. Perda de identidade? Rui Patrício, Beto, Ricardo Esgaio, Ruben Semedo, William Carvalho, Adrien Silva, Gelson Martins, Matheus Pereira. Cinco são titulares. Agora digam lá a verdade, isto é tudo azia de não poderem rever o Gérson Magrão?!

lencos

 

ESCRITO POR Trolha
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