Keizer resolveu contrariar a sua própria ideia de que Bruno Fernandes e Vietto são incompatíveis e o Sporting fez o melhor jogo deste arranque de época. E mesmo tendo que enfrentar mais um inenarrável momento do VAR, saltou para a liderança do campeonato

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A liderança do Campeonato estava mesmo ali, à distância de 90 minutos, e nas bancadas do Municipal de Portimão os adeptos leoninos pediam aos seus que jogassem à bola. A duas últimas visitas ao Algarve haviam sido de má memória, com os Leões a acumularem outras tantas derrotas com um saldo negativo de 2-9 em golos, por isso os de Alvalade não perderam tempo e, respondendo ao apelo dos que os seguem, atiraram-se ao adversário assim que soou o apito inicial.

Ainda alguns procuravam ajeitar-se no lugar e já Raphinha ia por ali fora disposto a exorcizar os falhanços acumulados. Acelera, corta para dentro, tira um adversário do caminho, olha para a baliza e atira cruzado, em arco, ao ângulo mais distante. Golaço para italiano babar! E ainda a turba estava em festa quando Luciano Vietto veio também ele para o meio e fez um passe brilhante a desmarcar Bruno Fernandes. O camisola 8 teve tempo para ver que tinha Phellype a pedir-lhe a bola e serviu de bandeja o 2-0.

Calma. Afinal, somos o Sporting. E, assim sendo, depois de cinco minutos de sonho, Mathieu teve uma abordagem nada condizente com a sua classe e fez penalti. Renan esteve quase a escrever mais um capítulo na história dos 11 metros, mas a bola entrou mesmo e o jogo ficou relançado. E mais relançado ficou ainda quando o VAR resolveu ter um daqueles erros grosseiros que só acontecem contra o Sporting. Luiz Phellype foi derrubado dentro da área, Xistra confirmou o penalti no ecrã e quando já estávamos a imaginar Bruno Fernandes a meter a terceira batata lá dentro… voltou ao ecrã, avisado de uma possível falta de Thierry no início do lance que acaba com o derrube ao nosso avançado. Acontece que, entre a suposta falta de Thierry (tão, mas tão forçado marcar falta) e a queda de Luiz, o Portimonense recupera a bola e o seu jogador dá 1, 2, 3 toques antes de voltar a ser desarmado e cometer penati. Assim sendo, a suposta falta de Thierry jamais poderia ser contabilizada.

Mas foi e em vez de levar uma paulada que poderia ser fatal, o Portimonense manteve-se em jogo. Com atitude, diga-se, daquela que é uma das equipas que tentam jogar à bola no nosso campeonato. Bruno Fernandes recebeu mais um passe incrível de Vietto e viu o seu chapéu ser impedido de entrar na baliza por um defesa. Do outro lado, Iury teve uma oportunidade de ouro, mas a cabeçada fez a bola beijar os painéis de publicidade.

O intervalo chegava e para lá da vantagem no marcador, o Sporting recolhia ao balneário depois de uma primeira parte tão melhor do que tudo o que havia feito esta época. A integração de Vietto na equipa, descaído para a esquerda mas sempre pronto a fazer diagonais e a deixar a linha para Acuña, foi algo que os algarvios não esperavam. Pior ainda, quando Bruno Fernandes abria espaço a que Raphinha viesse para o meio e procurava ocupar o espaço do extremo nas costas dos desorientados defesas. Chegou a ser carrossel, pois chegou, com Vietto e Bruno Fernandes a entenderem-se às mil maravilhas e Luiz Phellype feliz da vida por ver tanta gente a jogar no seu apoio. Além disso, Wendel e Doumbia surgiram mais em linha e não se coibiram de fazer pressão altíssima, obrigando os jogadores do Portimonense a perder várias bolas.

António Folha tentou equilibrar tudo isto com a entrada do médio Lucas Fernandes, mas o Sporting controlou sempre a posse de bola que concedia ao adversário. E quando o técnico portimonense lançou o avançado Jackson, os Leões mataram o jogo. Classe de Bruno Fernandes, colocando a bola de forma primorosa no outro lado do campo, onde apareceu Raphinha a emendar à boca da baliza. E só não fez o terceiro porque, depois de mais um passe incrível de Vietto e numa altura em que ambas as equipas já pagam a factura do ritmo alucinante do primeiro tempo, não conseguiu ultrapassar a oposição do redes Ricardo.

E com aquela que foi a melhor exibição desta época, o Sporting saltou para a liderança do campeonato. Vale o que vale numa altura destas, mas sempre dá para sorrir um pouco. Até porque é sempre melhor estar à frente do que seguir atrás.

Ficha de jogo
Portimonense-Sporting, 1-3

3.ª jornada da Primeira Liga
Estádio Municipal de Portimão, em Portimão (Algarve)
Árbitro: Carlos Xistra (AF Castelo Branco)

Portimonense: Ricardo Ferreira, Anzai, Willyan, Jadson, Henrique (Lucas Fernandes, 45′), Pedro Sá, Rómulo, Aylton Boa Morte, Cevallos (Dener, 68′), Bruno Tabata, Iury (Jackson Martínez, 63′)
Suplentes não utilizados: Gonda, Hackman, Rodrigo, Marlos Moreno
Treinador: António Folha

Sporting: Renan, Thierry, Coates, Mathieu, Acuña (Borja, 88′), Doumbia, Wendel (Eduardo, 79′), Raphinha, Bruno Fernandes, Vietto, Luiz Phellype
Suplentes não utilizados: Maximiano, Neto, Plata, Rafael Camacho, Diaby
Treinador: Marcel Keizer

Golos: Raphinha (2′ e 65′), Luiz Phellype (5′), Rómulo (9′, gp)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Boa Morte (65′)