Permitam-me começar com uma análise mais estatística de uma época que segundo Frederico Varandas foi preparada com um ano de antecedência e com cabeça, membros e pernas. Vamos então a um breve resumo.

A pré-época começa claramente bem, com a pior pré-época desde 1967, com 3 empates e 3 derrotas, e com o mesmo número de vitórias que pessoas competentes na super estrutura de Frederico Varandas, exatamente, ZERO. De destacar que pelo meio sofremos a derrota contra o adversário de escalão mais baixo da história do SCP (FC Rapperswil-Jona), aquele colosso da terceira divisão suíça.

De seguida, dá-se o arranque das competições oficiais com a possibilidade de conquistar um troféu e logo contra um rival. Pessoalmente tive o prazer de estar presente na maior derrota da nossa história contra esse clube (ironia). Não há palavras para descrever o que quem esteve naquele estádio sentiu. Mas calma! “Não estejam preocupados, porque eu também não estou!”

Entretanto começa o campeonato, mas como nem sei por onde começar aqui vão alguns dos recordes de Varandas conseguidos esta época:
Pior série de jogos sem ganhar da nossa história (11);
Maior número de derrotas numa só época (17);
Primeira vez que somos derrotados 3 vezes consecutivas em Alvalade;
Primeira vez que perdemos os 4 jogos contra os outros dois grandes;
O Porto volta a ganhar em Alvalade, coisa que eu com 19 anos não me recordo de acontecer;
Quatro treinadores numa época (não é novidade, mas vocês percebem)

Já na reta final, contratamos o treinador mais caro do mundo para tentar recuperar o terceiro lugar, mas nem quero entrar por aí. Como sabemos não conseguimos e acabamos em quarto lugar, algo que já não acontecia desde 2013, a 22 pontos do primeiro lugar (segundo pior registo de sempre).

Ah e não me posso esquecer da eliminação da taça de portugal frente ao colossal Alverca, espectáculo esse que também tive o prazer de presenciar.

Já enumerei alguns “hard to swallow pills” mas mesmo assim confesso que um dos que me custou mais foi olhar para Alvalade no jogo da pior lotação de sempre do nosso estádio para o campeonato, provavelmente não estiveram lá, mas quem esteve há de saber do que estou a falar.

Ora depois disto, estamos todos à espera de pelo menos um pedido de desculpas. Lembro-me por exemplo, quando Bruno de Carvalho foi à sala de impressa, pedir desculpa a todos pela humilhação de termos perdido 3-0 em Guimarães.

Em jeito de antevisão preparo aqui um jogo que consiste numa roleta de desculpas que Varandas pode usar, na próxima entrevista, para justificar o fracasso total: Claques, covid-19, herança pesada (tudo menos admitir a incompetência e incapacidade de desempenhar o seu cargo). Convido-vos a escolherem uma, ou duas, ou até mesmo as três.

Resumo dos resumos, um total fracasso, uma equipa fraquíssima, uma super estrutura invisível, a pior época de sempre.

Mas agora permitam-me perguntar uma coisa. Os 71% estavam à espera do quê? Sinceramente é uma pergunta que me tira o sono. Mas o que é que achavam que ia acontecer? E quem votou em Frederico Varandas? Porquê?

Creio que uma boa parte de quem na altura tomou estas decisões já deve estar mais que arrependida. Quanto a mim, como a muitos outros, cabe-me conviver com elas e observar o rápido declínio do clube que tanto amo. Na altura recordo-me de usar frequentemente a seguinte expressão “Estou-te a avisar!”, batendo sempre duas vezes na madeira, na esperança de o destino não me dar razão.

Hoje infelizmente digo “Eu avisei!”.
#AcordaSporting

ESTE POST É DA AUTORIA DE… Martim Geraldes
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