Depois de elogiar a exibição de João Palhinha na vitória do Sporting frente à ARC Oleiros por 4-2, Jorge Jesus afirmou ainda que Bruno de Carvalho está a tratar da renovação com o médio defensivo que foi em tempos dispensado pelo Benfica e que fez António Salvador viajar até Lisboa para o levar para Braga quando era ainda jogador do Sacavenense, onde demonstrou ser um autêntico “homem de ferro” que fazia lembrar Nani. Já explicamos.

“Muito forte defensivamente”. Foi assim que Jorge Jesus iniciou o rol de elogios à exibição de João Palhinha no jogo da Taça de Portugal frente à equipa de Oleiros e foi esta a característica que cedo distinguiu o jovem jogador dos demais como recordou ao BancadaLuís Nunes, treinador de Palhinha na equipa de juvenis do Sacavenense:

“Lembro-me que na altura ficámos em terceiro lugar do campeonato, só atrás de Sporting e Benfica e julgo até que fomos a melhor defesa do campeonato e o João era muito importante na nossa manobra defensiva.” A primeira manifestação de interesse nos serviços de Palhinha surgiu vinda do Benfica e o médio chegou mesmo a treinar na Luz. Mas as propostas não se ficaram pelos encarnados, como revelou Luís Nunes ao Bancada:

“Eu já vinha a avisar o presidente do Sacavenense há algum tempo que seria muito difícil manter o Palhinha. E depois surgiu o Benfica que o chamou para realizar um período de testes. Acontece que o Tralhão e o Carneiro [membros da equipa técnica da equipa de juniores do Benfica] não quiseram ficar com ele e o João regressou para junto de nós”, desvendou o atual selecionador da equipa de seniores da Associação de Futebol de Lisboa.

Seguiram-se propostas de Vitória de Guimarães e de SC Braga cujo interesse esteve perto de se concretizar quando “António Salvador se deslocou a Lisboa para conversar com os pais de João Palhinha” trazendo consigo um contrato de profissional pronto a ser assinado pelo jovem jogador, então, ainda menor, assegurou ao Bancada o antigo treinador do atual jogador do Sporting.

Palhinha acabaria por assinar pelos leões, curiosamente, graças a uma operação de charme iniciada por Abel Ferreira, então treinador dos juniores de Alvalade e hoje líder técnico do SC Braga. As memórias da passagem de João Palhinha pelo Sacavenense estão ainda hoje presentes naqueles que partilhavam o campo com Palhinha e não se limitam às características vincadamente defensivas.

Se lhe disséssemos que Palhinha marcou muitos golos nas camadas jovens, acreditava? Certo, eram conseguidos maioritariamente na sequência de lances de bola parada. Então e se lhe disséssemos que depois de marcar, Palhinha festejava os golos com um salto mortal? Exato. Também perguntámos a Joel Neves, antigo colega do atual camisola 66 leonino se não nos estaria a pregar uma partida, mas o jovem garantiu-nos que não. “É tipo o Nani”, confirmou Joel ao Bancada.

Joel é ainda hoje jogador do Sacavenense e foi com carinho que recordou uma alcunha que João Palhinha não gostava muito, nos tempos em que partilhavam o balneário: “Ele era muito calado quando estávamos fora do campo e por chamávamos-lhe ‘betinho’, até pelo penteado que ele usava, mas depois quando entrava em campo transformava-se. Parecia outra pessoa”, lembrou.

E era essa transformação que impressionava muita gente. Um dos episódios marcantes e bem demonstrativos dessa metamorfose foi contado ao Bancada por Nuno Rafael, guarda-redes, também ele antigo colega de João Palhinha no Sacavenense e que nunca mais esquecerá o lance em que Palhinha saltou à bola para marcar golo cabeceando com estrondo a barra da baliza adversária tal era a sua capacidade de impulsão:

“O Palhinha era imbatível no jogo aéreo. Há um lance que nunca mais esquecerei. Foi uma jogada de ataque. Um canto e ele para marcar o golo saltou e cabeceou mesmo na barra. Incrível. Nunca mais esqueci esse momento”, explicou Rafael que falando no “homem de ferro” lembrou a segurança que sentia nas bolas paradas defensivas quando via Palhinha no seu auxílio.

A vida de João Palhinha no Sporting não tem sido, no entanto, um mar de rosas. Bem pelo contrário. O jovem jogador viu-se no centro de todas as atenções depois da derrota do Sporting no Dragão frente ao FC Porto por 2-1. Jorge Jesus afirmou no final da partida que Palhinha não tinha levado “o guião certo para o jogo” e daí o Sporting ter sofrido dois golos numa fase precoce do encontro.

O jogador afirmou na altura não se sentir afetado com a repercussão das palavras do seu treinador em termos mediáticos e garantiu que continuaria a trabalhar para “ser cada vez melhor”. Segundo o antigo treinador de Palhinha, esta força mental “que permitiu ao jogador se apresentar feliz” diante do ARC Oleiros está baseada “numa grande estrutura familiar”. Segundo Luís Nunes a cadeia de acontecimentos que se seguiram ao jogo frente ao FC Porto só não abalaram o jogador “devido ao enorme suporte que Palhinha recebe dos pais”.

Resta saber se “as boas indicações” dadas por João Palhinha na vitória do Sporting frente à ARC Oleiros lhe valerá mais oportunidades em jogos futuros com a camisola verde e branca vestida numa altura em que está a ser negociada a renovação de contrato que liga o médio aos leões.

 

texto escrito por Sérgio Cavaleiro in Bancada