E as últimas 60h recordaram-nos o quão fácil é o terrorismo comunicacional em Portugal. Para quem acreditou um dia ser esse o percurso de vida que queria seguir, é ainda mais doentido assistir a um novo julgamento em praça pública, onde mesmo antes de ser ouvido e do juiz decretar o que quer que seja, já existe um culpado.

Não, isto não é um post em defesa de Bruno de Carvalho. Não vou entrar pelas teorias milaborantes em que o Jorge Mendes já está a meter dinheiro na conta do juiz. Nem vou cavalgar algo que até me pareceria mais pertinente e que passa pelo facto de ser esta a semana em que começa a instrução do e-toupeira, onde o [email protected] tentará livrar-se de uma acusação de corrupção inédita entre todas as SAD de clubes de futebol em Portugal.

É um post que julgo necessário escrever antes de serem conhecidos quaisquer outros desenvolvimentos em relação à invasão da Academia. É um post de alguém que considera que ainda deve existir respeito pelo ser humano enquanto indivíduo. É um post de alguém que ainda insiste em acreditar que algures existe um raio de um mundo onde as audiências não valem tudo. Mas valem. Cada vez mais. E alimentam-se sofregamente daquilo que me parece ser um abuso de poder, armando a tenda do circo mediático.

Consigo compreender os motivos que levaram à detenção de Mustafa em dia de jogo. Aliás, há muito que não se compreende é como é que um Mustafa, um Macaco ou um Luís Filipe Vieira continuam a divertir-se na gestão de tráfico de droga vestidos de líderes de claque quando toda a gente sabe o que se passa. Porque raio não se fez isto antes? Porque raio não se fez isto na sede de uma claque de outro clube? Sim, são perguntas pertinentes que deveriam ser feitas por qualquer Sportinguista com voz activa.

E até compreenderia a detenção de Bruno de Carvalho se, efectivamente, estivéssemos perante um gajo que, sabendo da detenção daquele que é apontado como o seu parceiro na orquestração da invasão, estivesse pronto a fugir para Vigo ou a agendar uma viagem ao Brasil para recuperar lapsos de memória. Não me parece, de todo, ser esse o caso.

Parece-me, isso sim, que ensacando uma pessoa que se mostrava disponível para falar em sua própria casa, provavelmente na presença de uma das filhas e confiscando o computador da rapariga, se deu um passo sem retorno rumo ao achincalhamento público. No fundo, é apanhar um gajo no chão e pontapeá-lo mais e mais. A isso eu chamo cobardia. A isso eu chamo um banquete para os canais de televisão e os seus cada vez mais asquerosos programas de paineleiros.

No momento em que este post vos chegar, Bruno de Carvalho estará a sentar-se em frente ao juiz, acusado de 56 crimes. Confesso que será uma enorme desilusão se se confirmar o seu envolvimento de um dos dias mais tristes do meu Sportinguismo. O mesmo Sportinguismo que se mostra profundamente preocupado com o que essa possibilidade representa para o meu clube, nomeadamente na luta judicial contra os jogadores que rescindiram.