Numa tarde em que o futebol voltou a jogar-se à sua hora, o Sporting tentou colocar em prática algumas das ideias de Keizer, mas o que ficou foi a certeza de que há muito trabalho para erradicar maus vícios antigos e implementar algo que vá além de jogos resolvidos pelos suspeitos do costume

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Existia expectativa, embora moderada, sobre o que o Sporting iria mostrar frente ao Lusitano. O que mudaria Keizer na equipa? Quem jogaria? Em que modelo táctico? Haveria ou não pressão alta?

E se o 4-3-3, com a colocação de Wendel a titular, foi a primeira nota de destaque, também depressa se percebeu que o veneno ingerido ao longo de meses vai demorar a ser drenado. Ao longo da primeira parte, o Sporting foi aquele Sporting com ausência de ideias sobre como ultrapassar adversários bem fechados e capazes de preencher o miolo. Circulação de bola lenta e previsível, incapacidade de acelerar nos corredores, já que o meio estava demasiado povoado.

Nani era o mais inconformado, Wender o que se mostrava mais capaz de dar esticões à partida, Gudelj mostrava-se cada vez mais confortável a jogar sozinho na posição 6, principalmente a atacar. Quando Jefferson cruzou a régua e esquadro para a emenda de Bas Dost, a quatro minutos do intervalo, julgava-se que estava feito o mais complicado. Mas não estava, pois mal a bola foi ao meio-campo o Sporting esqueceu-se que ainda não estava no intervalo e sofreu o golo do empate. Justo, diga-se, a premiar uma equipa muito inferior que até entrou melhor na partida e obrigou a que Renan fosse o primeiro a sujar as luvas.

No segundo tempo tudo melhorou, até porque o Lusitano deu o berro fisicamente. Com mais espaço, veio ao de cima a qualidade individual dos jogadores do Sporting e, com toda a naturalidade, os golos foram aparecendo, o primeiro dos quais um verdadeiro regalo para os olhos, começando na visão de jogo de Nani, passando pela tabelinha de calcanhar entre Bruno Fernandes e Bas Dost e terminando no remate de classe do camisola 8.

Depois veio mais um centro de Jefferson e mais um golo de Dost, com Diaby a fechar a contagem e a carimbar a passagem dos Leões aos oitavos de final da Taça de Portugal.

Para a história, ficam, também, as primeiras notas em relação ao futebol que Keizer parece pretender implementar: um futebol assente em trocas de bola, com a equipa a recusar o chutão para a frente e a procurar jogar futebol apoiado a partir de trás. Depois, tentativa de jogar a um/dois toques, procurando aumentar a dinâmica, sendo que Wendel poderá ter um papel importante neste carrossel, nomeadamente se lhe for dada possibilidade de jogar mais a partir do meio-campo.

A tudo isto se junta uma certeza: mister Marcel tem muito trabalho pela frente e, mesmo que boas, o que sobra de uma partida frente a uma equipa amadora são apenas vibrações.

Ficha de jogo
Lusitano Vildemoinhos-Sporting, 1-4
4.ª eliminatória da Taça de Portugal
Estádio do Fontelo, em Viseu
Árbitro: António Nobre (AF Leiria)

Lusitano Vildemoinhos: Ruca; Assane Baldé, Paulo Oliveira, Tiago Gonçalves, Márcio Rocha; Murilo Rosa, Smolovic (Edgar Lopes, 78′), Nuno Rodrigues (Pedro Marado, 79′); Kiko Barroso, Diogo Braz e Hélder Rodrigues (Klysman, 73′)
Suplentes não utilizados: Badi Sea, Calico, Gustavo Petrocelli e Ricardo Leal
Treinador: Rogério Sousa

Sporting: Renan; Bruno Gaspar, Coates, Mathieu, Jefferson; Gudelj (Petrovic, 85′), Wendel (Bruno César, 79′), Bruno Fernandes; Diaby, Nani e Bas Dost (Jovane Cabral, 75′)
Suplentes não utilizados: Salin, André Pinto, Lumor e Carlos Mané
Treinador: Marcel Keizer

Golos: Dost (42′ e 72′), Diogo Braz (44′), Bruno Fernandes (64′) e Diaby (73′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Smolovic (28′) e Gudelj (48′)