1 – Como nasceu o teu Sportinguismo e quais os momentos do Sporting com que mais vibraste, ana? Descreve um deles.
Criada num agregado familiar encarnado (pais e dois irmãos benfiquistas e mãe simpatizante do Vitória de Setúbal, mas só porque era da terra onde foi criada – não ligava puto à bola), nunca consegui simpatizar com o clube das gaivotas. As minhas tendências sempre foram verdes, mas houve um primo que deu o empurrão final para me tornar “fanática”: o Vítor. O Vítor que já não está entre nós, que quis o guião da vida dele, cedo demais partiu. E tornei-me sócia graças a um outro empurrão: Zé Henriques. Doente do Sporting, colega de trabalho.
O momento com que mais vibrei foi, sem dúvida, o jogo do primeiro título na minha fase fanática, contra o Salgueiros. O jogo em si, a ida ao Marquês, o acompanhamento via TV da “caravana” sportinguista até Lisboa, com a paragem no estabelecimento do senhor de que não me lembra o nome, que há muitos anos não aumentava o preço do café e que infelizmente nunca teve a alegria de o atualizar, tendo cabido à esposa a “demarche”. Depois desse, muitos outros momentos vibrantes o Sporting me proporcionou, mas nenhum com a mesma intensidade.
2 – Como tens visto o Sporting desde que te lembras de ser Sportinguista, ou seja, qual a tua opinião sobre o passado e o presente do clube?
Sempre senti um orgulho enorme em ser sportinguista por lutarmos em campo, e só em campo, pelas vitórias. E esse é o significado que dou à frase “somos diferentes”. Não por sermos educados e bem falantes ou mais inteligentes do que os outros. Eu não sou nem a primeira nem a segunda, e aceito perfeitamente que a terceira não seja o meu forte. Posso dizer que até 2013, nunca liguei nem me interessei por politiquices. Sempre tive a ideia de que quem estava à frente do clube queria e fazia o melhor por ele. Chocava-me porem em causa a idoneidade dos dirigentes. Sempre defendi quem nos governava, desde Sousa Cintra (acho que foi o último presidente romântico, “carola”, que tivemos pré-BdC), Santana Lopes (apesar do episódio de ter de optar por que modalidades “eliminar”), Soares Franco, Bettencourt, Godinho Lopes… Verdade! Eu só ligava ao que se passava dentro de campo, e o que se passava (e ainda passa) no futebol era mau demais.
Tornei-me fanática quando a fruta e o café com leite começaram a ser servidos em barda, salpicados com uns Carlos Valentes e Fortunatos de Azevedo pelo meio. E então defendia os dirigentes por não depender deles ou dos investimentos que fizessem na aquisição de jogadores (e que grandes equipas tivemos), a bola entrar ou não entrar na baliza, ou simplesmente por os árbitros gostarem de viajar pela agência Cosmos ou de andarem nas “nights” calorentas. Sempre vi o Sporting como vítima da podridão e falta de valores, de verdade desportiva, de lisura de processos. E sempre me orgulhei por nos mantermos um clube grande, com uma massa adepta enorme relativamente ao que o clube conquistava no futebol. Comparava-nos (e ainda o faço) ao David. Cada conquista é uma pedrada no olho da besta Golias.
Comecei a prestar mais atenção às politiquices quando BdC foi eleito. Por se começar a saber o estado calamitoso que o clube atingira. Ora, quanto a Bruno de Carvalho: Uma relação admiração/antipatia, por desde o início não gostar da forma como falava, mas sempre de acordo com as ideias que defendia e com o que fazia. Vivi a primeira época completa, a de Leonardo Jardim, com um entusiasmo como há muito não sentia. Ali estava um presidente e um treinador a apostarem finalmente na prata da casa, a fazerem um brilharete com os “miúdos”, a discutirem o título com as equipas dos milhões e detentoras a meias dos “poderes ocultos”. Gostei das medidas para emagrecer os gastos do clube, das iniciativas para recuperar sócios, da ida à UEFA para falar do futebol cá do burgo, das propostas para o futebol português, da “criação” de diversas academias Sporting por esse mundo fora, das escolas Sporting. Tanta, tanta coisa de que gostei. Outras de que não gostei, como o tom do discurso, autoexcluir-se das reuniões da
liga e atacar, em vez de tentar agregar às suas causas, os clubes que não os outros dois grandes. Mais espécie ainda me faz esses ditos clubes continuarem a ser tão subservientes a Benfica e Porto. Não me esqueço de que BdC defendeu a centralização das receitas das transmissões, que só traria vantagens para todos eles e acabaria com a necessidade de serem lacaios dos “sistemas” encarnado e azul. E, erro maior, crasso, CRASSO, ir buscar Jesus.
O Sporting atual, pós-destituição, desilude-me, enfurece-me. E isso porque temos um presidente sem qualquer carisma, declaradamente testa de ferro, ou de lata, vá, que uma pessoa fala em ferro e pensa em algo forte, consistente. E este é tudo menos isso. Irrita-me, pela primeira vez sentir necessidade de atacar um presidente do meu clube. Irrita-me ter-se apresentado como candidato ainda não se sabia se iriam sequer haver eleições. Irrita-me este desprezo evidente pelos sócios. Esta constante tomada de conhecimento dos assuntos do clube através das cofinas desta vida ou de comunicados insípidos, brandos, sem qualquer chama, este “confiar na justiça” e de desistir de processos ou não reclamar de nada por nela confiar. Enfurece-me esta necessidade de “matarem” o ex-presidente. O desprezo, o ódio, o revanchismo em cada declaração que vejo (dele e dos notáveis e menos notáveis que
pululam na CS) em relação ao antecessor, que, quer queiram quer não, apresentou serviço, muito fez pelo clube. E depois temos adeptos/sócios a discutirem entre si, com total desrespeito, um clube completamente partido, que as atitudes dos “superiores” não ajuda nada a “colar”.
3- Qual a tua perspectiva de futuro do clube? Como gostarias que fosse?
Unido. Queria um clube unido como nunca tivemos. Mas com espírito crítico, claro. Queria que as direções dessem voz aos sócios com mais frequência, que auscultassem a sua opinião, que houvessem mais assembleias gerais. Gostava que quem ganhasse eleições não tivesse qualquer problema em aproveitar o que de bom tivesse sido feito pela direção anterior e até que, após as eleições, se reunissem os candidatos derrotados com o vencedor e se aproveitasse o que de bom tivesse sido proposto nas campanhas de cada um, que se aproveitassem as boas soluções de todos. Que o candidato que tivesse uma boa solução e os meios para a concretizar os pusesse à disposição de quem vencesse as eleições. Todos a quererem o melhor para o clube. Todos a darem o melhor pelo CLUBE..
4 – Se fosses candidata quais as principais medidas que aplicavas (Financeiras-Projecto Desportivo -Futebol e Modalidades)? O que achas do sistema eleitoral ? Quais seriam as tuas bandeiras como candidata?
APOSTA REAL NA FORMAÇÃO. Contínua, não só quando não há dinheiro para comprar trutas. Temos um viveiro delas. Teto salarial e prémios individuais e coletivos por objetivos. Essa coisa muito em voga nas transferências de hoje em dia, em que se vende um jogador por 10 milhões + 5 se jogar x jogos + 5 se for chamado à seleção… aplicava aos jogadores do clube. Querem ganhar mais? Façam por isso. Ganham eles e o clube.
Acabar com as comissões. Acho que as comissões deviam ser pagas pelos jogadores. Não me lixem. Nem que os clubes que os adquirem pagassem no ato da assinatura um dado valor ao jogador. Este que acertasse contas com o empresário. Mas o Sporting tem lá alguma coisa a ver com o facto de um dado jogador trabalhar com um agente que cobra 25% ou com um que cobra 5%? Eles escolhem os agentes, eles que arquem com as despesas. Os clubes deviam estar fora disso. Aliás, o futebol já existe há muitos anos, e só de há uns trinta para cá é que se começou a ouvir falar de agentes e comissões e diabo a sete. Se os jogadores tivessem um dedinho de testa, mandavam os agentes dar uma volta. São os jogadores que se valorizam em campo, com o seu trabalho, com o seu empenho, com as suas aptidões. Porque raio há de mais alguém lucrar com isso se não eles próprios e os clubes que lhes dão a oportunidade de se mostrarem? Não percebo. Ultrapassa-me. Bom, bom, seria o desaparecimento de tais figuras. Os agentes.
Gameboxes: mantia, mas com a obrigatoriedade de os detentores avisarem com 48 horas de antecedência que não iriam ao estádio para que outras pessoas pudessem comprar bilhete e ocupar os seus lugares.
Modalidades… é para manter. Está bem como está. Não mexe. Infelizmente, as assistências só serão grandes quando houver jogos importantes. Sempre foi assim, sempre assim será. Somos um país de gente futeboleira, com uns quantos que gostam de facto de ver outras modalidades e muitos mais, como eu, confesso, que gostam de ver na TV e de saber que ganharam jogos ou conquistaram títulos, porque foram vitórias do Sporting, porque contribuem para o engrandecimento do clube. Devia ter vergonha de dizer isto, os atletas das modalidades não o merecem, mas é o que sinto. É o que pratico. Posso dizer que, apesar de ter contribuído para o Pavilhão João Rocha, só lá pus os pés por motivos extrajogos. Peço desculpa aos atletas. A sério.
Um sócio, um voto. É assim que funciona na democracia, era assim que devia funcionar num clube que se diz democrático. Há muito sócio com um ou cinco anos de clube que é mais válido e participativo do que muitos com dez, vinte, cinquenta. A antiguidade é um posto, mas não é sinal de competência ou de clarividência. É que nem regalias para os mais antigos atribuiria. É uma regalia ser sócio do Sporting Clube de Portugal, ponto. Não concebo que alguém seja sócio de um clube por paixão e que exija receber algo em troca. De qualquer das maneiras, há várias parcerias com diversas entidades que dão descontos. Isso já é uma regalia para os que acham que têm direito a compensações. E não sai dos cofres do clube.
5 – O que achas dos denominados notáveis ou ilustres e o que farias em relação às claques?
Notáveis e ilustres empecilhos. Lamento. É só o que me ocorre. Claques: não imagino o clube sem elas. Obrigava era TODOS a serem sócios. Pagariam a mesma quota que o sócio “vulgar” paga, reservando o clube uma percentagem para um
departamento liderado por alguém da estrutura do futebol (o tal de oficial de ligação ao adepto, por exemplo) e os líderes de cada claque. A tal da reserva destinar-se-ia a deslocações, despesas com material de apoio e… pagamento das multas aplicadas ao clube de cada vez que cometessem excessos.
6 – Que medidas aplicarias em relação à melhoria do futebol nacional em todas as suas áreas (arbitragem -ligas -campeonato – mais ou menos clubes, no fundo organização do futebol nacional)?
Negociação dos direitos de transmissão da primeira e segunda divisões pela Liga e distribuição pelos clubes participantes.
Tabela de preços para bilhetes, mediante importância dos jogos.
Nos tempos mais próximos, até a coisa estabilizar, VARs estrangeiros.
Número de clubes: 20. Verdade, 20. Mas com a tal questão da distribuição de verbas por eles. O nosso campeonato só não é mais competitivo porque maior parte dos clubes tem orçamentos muito baixos. E se mesmo assim alguns vão
fazendo os seus brilharetezinhos, o que não seria se pudessem contratar jogadores “jeitosos”, em vez de andarem cá com jogadores emprestados a levantar o pé ou a não “calçarem” quando defrontam as equipas que os emprestam. Isso e não fazerem “favores” nas votações de questões importantes na liga. Consensos, sim, mas consensos no interesse de todo e qualquer um, não com cedências por deferência ao “grande” amigo.
7 – Qual o teu jogo mais marcante como Sportinguista? E qual o teu onze ideal, incluindo um técnico?
Como já disse lá em cima, Salgueiros-Sporting, por tudo o que representou. Não consigo dar um onze ou treinador ideais. Gostei de muitos jogadores, gostei de vários treinadores. Por exemplo, gostei muito de Boloni, de Paulo Bento, de Leonardo Jardim, pelo que conseguiram fazer com equipas com muitos “putos” da formação. Jogadores… eh pá, tantos. Não quero ser injusta..
8 – ana, supõe que estás a falar às massas Sportinguistas num momento importante. Qual seria a tua mensagem?
Olhem para situação do clube no seu todo em vez de para quem o governa, e desconfiem SEMPRE da CS. Reajam na
proporção inversa: se falarem muito bem, desconfiem; se falarem muito mal, defendam. Com unhas, dentes e com o que
quer que seja que tenham à mão e que possa criar mossa. E acima de tudo… SPORTING SEMPRE!
*às sextas, o Sonhador convida um tasqueiro para a mesa do canto e coloca-lhe uma mão cheia e meia de perguntas às quais não vale dizer talvez
**********
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26 Abril, 2019 at 22:26
Gostei
27 Abril, 2019 at 8:35
Boa. É sempre bom o cliente ficar satisfeito com o petisco servido na tasca. 🙂
26 Abril, 2019 at 22:35
Concordo completamente, com a tua opinião sobre a maior parte dos assuntos. Ana a Presidente. Também aqui seriamos pioneiros. SL
27 Abril, 2019 at 8:36
Eh eh, menos, menos. Não servia para isso, acredita.
26 Abril, 2019 at 22:47
Sporting sempre!
27 Abril, 2019 at 8:36
SEMPRE!
26 Abril, 2019 at 22:57
Parabéns Ana… adorei… revejo-me em quase tudooooo… inclusive esse Salgueiros-Sporting… e o curioso é que desse jogo o que me vem logo à memória são o enormeeeeeeeeeeee nervosismo e ansiedade… e o Schemeichel, a um passe de um colega, a dominar a bola de peito e a aliviá-la com um pontapé de bicicleta… espetáculo…
PS. Concordo com o Fellinni…
SL
27 Abril, 2019 at 8:43
Tudo! Tudo nesse dia foi especial. O nervoso de acompanhar ao mesmo tempo o gil vicente-fcp, que só acalmou quando marcámos o segundo. Os festejos do Inácio. Os adultos a chorarem nas bancadas quais putos. A verdadeira loucura que se instalou e que se arrastou durante os dias seguintes. Gente feliz com lágrimas! Tão bom. O segundo título já foi mais “morno”. Saboroso a mesma, mas não tão intenso. O próximo vai ser igual. Que não falte muito para isso acontecer. 🙂
27 Abril, 2019 at 14:34
Foi isso mesmo, capturaste o momento na perfeição…
26 Abril, 2019 at 23:08
Muito bem, Ana. O Sporting precisa de pessoas conscientes e determinadas como tu. Seria um clube melhor.
27 Abril, 2019 at 8:45
Obrigada, Sali. Mas o clube precisa de pessoas que atuem. Eu é mais paleio. Digo o que gostaria que acontecesse. Não sou lá grande exemplo. 😛
26 Abril, 2019 at 23:40
Obrigado Ana pela tua entrevista.
Como sabes nao comento as entrevistas pois sao a base da vivencia inquestionavel de sportinguismo de cada um e todos terao toda a legitimidade de viver o SPORTING a sua bela maneira disfrutando dos momentos gloriosos que o clube tem, por vezez e infelizmente nao tantos como todos nos desejamos e principalmente como o clube mereceria, como nos momentos de desgosto pelas derrotas.
SL para ti Ana.
Viva o SCP.
27 Abril, 2019 at 0:45
Os meus parabéns por esta escelente ideia das entrevistas aos clientes mais assíduos aqui da Tasca.
SL
27 Abril, 2019 at 19:12
*excelente
27 Abril, 2019 at 8:55
Obrigada, Sonhador, pela ideia. Gostava que muitos mais tasqueiros respondessem. Tenho a certeza de que chegaríamos à conclusão de há muitos pontos de vista coincidentes. O bate-boca diário é isso mesmo: bate-boca. É a discussão de bancada, de roulote. E, francamente, acho que é isso que torna a Tasca um sítio tão especial. Aqui, vive-se paixão. E isso percebe-se no acompanhamento que aqui é feito dos jogos. Críticas, elogios, felicidade, raiva, todos a festejarem os golos e as vitórias, e a descarregarem as frustrações nas derrotas. Que ninguém acredite que um, UM tasqueiro deseja a derrota do clube. Eu não acredito.
26 Abril, 2019 at 23:45
Ana… wooow… “mainadah” SPORTING!!!
Que mulher de armas, na defesa incessante do seu grande amor.
Gostei muito, assim como, me identifico com a sua clareza de espírito e genuína ardência pelo NOSSO clube.
Respect!
27 Abril, 2019 at 8:57
Obrigada, Phil. Mas olha que como disse acima, mulher de armas e defensora seria se agisse. Eu sou defensora mas é no paleio. 😛
27 Abril, 2019 at 13:16
🙂 no início era o Verbo… portanto tudo começa numa boa conversa e na força da palavra!
26 Abril, 2019 at 23:57
Muito bem, Ana! Parabéns, bela entrevista! 🙂 SL
27 Abril, 2019 at 8:58
Obrigada, Leão FA. SL!
27 Abril, 2019 at 0:53
Gosto sempre de ler os textos desta miúda.
Saudações Leoninas Ana!
27 Abril, 2019 at 9:02
Ainda bem! E obrigada pelo “miúda”. Sabe sempre bem ouvir esse termo. Eu gosto, pelo menos. Acho que quando toca a discutir o nosso clube, todos o somos. Un miúdos e umas miúdas. Saudações leoninas, miúdo!
27 Abril, 2019 at 1:10
Muito bom! Grande Sportinguista!
Revejo-me em muito daquilo que escreve e não é de hoje.
Agora vamos mas é ao Pavilhão sff! Vocês na capital não sabem a sorte que têm!
SL
27 Abril, 2019 at 9:05
Diz de o Mateus dá nozes a quem não tem dentes. Fazer o quê? Já disse: se me deixarem ficar ao pé de uma das portas lá em cima com o pé entalado para ela não fechar… 🙂
27 Abril, 2019 at 1:19
Simplesmente adorei Ana, a tua pureza de Sportinguista, a tua sinceridade , a tua paixão, coisas pouco comuns hoje em dia.
Meus sinceros parabéns pela tua excelente entrevista.
27 Abril, 2019 at 9:07
Obrigada, mr. Bill. Já respondias também tu a uma. Tu e todos. Há muita ideia válida em cada tasqueiro. E muito sportinguismo em todos eles.
27 Abril, 2019 at 1:21
Mais uma tasqueira que se dá a conhecer um pouco melhor. Belíssima entrevista Ana. Frontal e directa como é timbre das gentes de Setúbal! Bela terra! Bela gente! Saudades do Café-Restaurante Tamar e dos 2 dedos de conversa com o Zeca! E das noitadas com o meu amigo Zé Tapum nas esplanadas da “marginal”. Apenas tenho pena que a sua claustrofobia a impeça de desfrutar a magia das nossas equipas de Pavilhão.
Vamos fazer assim: para o ano (desafio já o Cherba) faremos tudo para que a etapa Final do Goalball seja no PJR. Como é expectável que não encha (embora eu gostasse de o ter muito bem composto nos jogos decisivos), será uma boa oportunidade de conhecer melhor um “novo” desporto (faria de seu “Cicerone”, em lugar mais “arejado”, explicando-lhe as regras) e, depois, iríamos (os Tasqueiros) comemorar mais 2 Títulos Europeus (que as mulheres do Goalball também são de excelência); um tri e um bi só podem ser comemorados com uma boa comezaina. É um Desporto que aprendi a adorar e são desportistas que aprendi a admirar. Sou fã há 3 anos e foram poucos os jogos do Sporting que eu não segui via streaming nestes últimos 2 anos, mesmo à distância dos Açores.
O desafio é o seguinte: a Ana leva um bom Moscatel de Setúbal, o Max a célebre Ginginha de Óbidos, eu uns biscoitos de orelha de Santa Maria e uns bolos lêvedos das Furnas, o Cherba escolhe a Sala e convida os outros Tasqueiros: são 11 meses para combinar bem a coisa … eaté talvez traga uma delegação do Núcleo da Ilha de Santa Maria.
Mais uma vez, parabéns pela entrevista, extensivos ao Sonhador (grande malha, esta tua iniciativa)
Um abraço e saudações leoninas
27 Abril, 2019 at 9:14
Uopá… infelizmente, não vivo em Setúbal. Consegui lá viver durante um ano, mas aquela linda terra, infelizmente, não me quis lá a viver. Tive de regressar à base, porque não consegui arranjar trabalho que permitisse continuar por lá e coincidiu com um abrandamento significativo no volume de trabalho dos clientes que “levei” daqui. Mas a esperança de para lá voltar mantém-se. De qualquer das maneiras, não seria por isso que não conseguiria arranjar um Moscatel de Setúbal para levar para o convívio. Aquilo é tão bom, mas tão bom, que em qualquer supermercado se arranja.
Saudações leoninas! 🙂
27 Abril, 2019 at 1:50
Obrigado Alvaro pelas tuas palavras esta rubrica foi um pouco para mudar o tom e ambiente pesado que a tasca por vezes se encontra, no intuito de cada um genuina e legitimamente dar-se a conhecer como Amam e Vivem o grande enorme SPORTING CLUBE DE PORTUGAL.
27 Abril, 2019 at 5:17
Gosto da forma como a Ana sente o clube, já há muito tempo noutras paragens que aprecio o seu fervor Sportinguista. Parabéns à Ana por manter viva a chama leonina, nem sempre é fácil mas ela consegue como poucos.
Abraço de Leão.
27 Abril, 2019 at 9:16
Grande Verdão! Mas olha que a chama está um bocadinho baixa, atualmente. Como nunca a senti. E o meu receio é que não a consigam reavivar tão cedo. Digamos que estou em lume brando. Não no meu amor ao Sporting, mas no entusiasmo com que o vivo. Vá, não fiques muito chocado. Diz que não há mal que sempre dure nem bem que nunca acabe.
Beijinho, Verdão!
27 Abril, 2019 at 6:50
Ana, o grande erro do Bruno não foi contratar o Jesus. Foi mantê-lo qd fez chantagem.
O Bruno dos primeiros tempos mandava o gajo passear.
Depois há outro, estratégico, que acabou com ele. O momento em que se mete publicamente com o Sobrinho…
Boa entrevista. Esse jogo que falas em Vidal Pinheiro marca uma época em que consegui ver todos os jogos do Sporting. Casa e fora. Inclusive a pré nas Caldas…
🙂
27 Abril, 2019 at 9:24
Respeito a tua opinião. Eu continuo a pensar que o grande erro de BdC foi mesmo ir buscá-lo. Fiquei piurça quando o fez. Estava mais do que visto que as conquistas do Jesus… não eram bem conquistas do Jesus. Posso até dizer-te que o que não conseguiu conquistar foi mais “mérito” dele do que da estrutura encarnada. E, no Sporting, apesar dos roubos, também foi mérito dele não termos conquistado nada. De 2016 até ter saído.
Meteu-se com o Sobrinho, meteu-se com o polvo, e ameaçou a bipolarização do futebol tuga, quando começou a recuperar o Sporting que muita gente já dava como morto e comparava ao Belenenses. Grande erro: não ter tentado que todos os outros clubes renunciassem ao poder dos sistemas e se unissem ao Sporting na luta contra eles.
SL!
27 Abril, 2019 at 14:40
Na altura percebi a ideia. Aliás, o primeiro ano é de título… não fosse o benfiquistão.
No resto, a luta era necessária a tudo o que era podre. Erro foi ir ao Sobrinho e abrir guerra aos 10% que não estavam com ele.
Já nem vou às Mayas, Pipinhas e Cláudios Panilas.
27 Abril, 2019 at 8:37
Boa
27 Abril, 2019 at 9:25
Olhó respeitinho! 😀
SL!
27 Abril, 2019 at 9:44
Por isso é que não assobiei 😀
SL
27 Abril, 2019 at 8:47
Muito bom Ana. Muitas ideias interessantes com as quais concordo. O brave levantou e bem duas questões. BdC meteu-se com Sobrinho e não despediu JJ no tempo certo.
Os dois erros crassos que acabaram com ele e, como vemos, contribuíram para este novo Sporting que muito bem caracterizas.
PS: eu voltava na boa numa mulher para presidente. A avaliar pelo que vejo em casa de certeza que fazia um melhor trabalho que um homem.
27 Abril, 2019 at 9:32
Mr.!, tal como na selva, tal como na selva. As leoas é que caçam! Também eu gostava que uma mulher de armas chegasse à presidência do clube. Uma LEOA feroz, apaixonada pelo CLUBE. Que as existem, de certeza absoluta. Mas infelizmente o nosso país ainda não tem mentalidade para isso. No desporto e em tudo o resto. E não, não sou femininista. Acho é que se devem avaliar as competências de cada um, independentemente do género, da raça ou do credo. Quem sabe, um dia…
27 Abril, 2019 at 14:42
+1 nisso da mulher.
Não teria é tomates d’aço 🙂
27 Abril, 2019 at 13:10
Parabéns Ana! Revejo-me quase por completo!!
27 Abril, 2019 at 13:15
Cresce a minha admiração por si, Ana! Gostei imenso da entrevista e da sua clarividência e frontalidade! O seu é o meu Sporting! Sempre!
27 Abril, 2019 at 15:06
Obrigado pela partilha, por mostrares a “alma” pessoalmente gostei do que vi, concordo com muito (quase tudo) mas nas modalidades somos diferentes….
Eu vi o Agostinho pedalar, o Lopes correr e o Livramento stikar (também vi o Yazalde chutar…) a minha “história” com o SCP é 50/50, ainda hoje não sei se o que mais me emocionou no Sporting se foi o Lopes na maratona Olimpica, ou esse jogo em Salgueiros, num era um adolescente imberbe, no outro era um trintão a emoção tal como a recordo foi igual…Os Portugueses tão desacreditados e massacrados na altura precisavam disso, precisavam de um heroi, tal como os Sportinguistas naquela tarde no Porto…
Muitos parabéns, não pelo teu sentir, porque esse cada um tem o que tem, é uma coisa mais subconsciente, mas pela clareza e pureza de raciocínio com que o explanas!!!
SL
PS O Bruno “estratégico” foi de facto mau, perdeu-se, mas o outro Bruno, o “puro” foi tão bom…esse é que foi o problema, toda a gente, uns mais tarde, outros mais cedo “embarcaram” no sonho do Bruno “bom” e quando veio a desilusão, os erros (que nem foram os piores que assistimos dos nossos dirigentes) as parvoices, muitos Sportinguistas se sentiram traidos e magoados pelo seu “heroi” e como todos sabemos um amor traido…
27 Abril, 2019 at 16:35
Muito bom Ana!! Sportinguismo puro!! Além disso, tenho exactamente o mesmo pensamento e sentimento que tu em 90% das questões e partilho os mesmos estados de alma e nas mesmas alturas. Como por exemplo, o fanatismo dos anos de campeão, o nosso inicio da “consciência politica” no clube, e o facto de antes disso defender qualquer um que lá estivesse devido á podridão do futebol português, passando pelo abre olhos que foram os últimos 5 anos e o sentimento extremamente negativo que tenho de quem (des)governa o clube hoje em dia e a acabar no que penso dos “notáveis” da bancarrota e na estupidez que é o sistema de votos no clube.
É com esta mentalidade, este inconformismo, esta exigência, estes sócios, estes adeptos e este sentimento que se fará o futuro do Sporting Clube de Portugal!!
28 Abril, 2019 at 18:55
https://www.youtube.com/watch?v=5KmC0-EUmMg