Frente à equipa à qual parecia não saber ganhar e num jogo sem VAR apitado por Manuel Mota, o Sporting entrou decidido a não dar hipóteses a fantasmas do passado e só mesmo algumas assombrações do tempo em que o vídeo não existia conseguiram colocar em causa uma vitória mais do que justa

 

 

 

 

 

Desde que os minhotos regressaram à I Liga, em 2019/20, o Sporting havia somado duas derrotas e três empates contra o Famalicão, equipa que chegava a Alvalade sabendo que uma vitória os colocava directamente na final four da Taça da Liga. E quase em cima do começo do jogo, Amorim soube que Tiago Tomás tinha que ficar de fora, por lesão.

If there’s something strange
In your neighborhood
Who you gonna call?

A decisão de quem iria entrar no lugar do jovem avançado não podia ter sido mais certeira. Como se veria ao longo do jogo, Nuno Santos, gajo que leva sempre tudo a sério, viria a ser fundamental para o desfecho de uma partida para a qual o Sporting arrancou com um onze completamente revolucionado, da baliza ao ponta de lança. Um dos jogadores lançados, Ugarte, não tardou a aproveitar a oportunidade: ainda antes dos oito minutos, viu uma bola de ressaca mesmo a jeito de levar uma pantufada de fora da área, disparada com tal vontade que um adversário se encolheu e serviu de tabela para que a redonda acabasse dentro da baliza. O uruguaio, foi, aliás, uma das figuras da equipa ao longo da primeira parte, dizendo aos Sportinguistas que se por algum motivo Palhinha precisar descansar, ele está lá para compensar.

O Sporting entrava forte, talvez alertado pelo facto de, meia hora antes, o fcp ter sido despachado da competição, ao perder nos Açores, e dominava completamente um Famalicão que dificilmente funciona sem Ivan Jaime, o fantasista que ficou guardado no banco. Mesmo sem criar muitas oportunidades de golo, o Sporting impunha ritmo e intensidade, impedindo o adversário de explorar as transições rápidas que têm sido forma de travar o Leão em embates anteriores. E se o resultado só chegou com 1-0 ao intervalo, a culpa é de Manuel Mota, deliciado com a oportunidade de apitar um jogo sem VAR e, assim, não ver uma mão clara na área famalicense, dois minutos após o golo de Ugarte. Sim, Sarabia também teve na cabeça a oportunidade de dilatar, mas aquele penalti dificilmente passaria sem VAR.

If there’s something weird
And it don’t look good
Who you gonna call?

Já que falamos em Sarabia, foi interessante ver o espanhol com grande liberdade de movimentos na frente de ataque que formou com Jovane e Nuno Santos. E foi precisamente ele que, aproveitando uma arrancada de Matheus Nunes, disparou com violência para defesa incompleta do redes; a bola sobrou para Nuno Santos que, com calma, tirou um adversário da frente e rematou para o 2-0.

Mesmo com Ivan Jaime já em campo e com outra disposição ofensiva, o Famalicão não conseguia criar oportunidades de golo. Amorim aproveitava para lançar Palhinha, Matheus Reis, Tabata e Paulinho, e a equipa ia gerindo a vantagem, até aparecer uma assombração: a um minuto do final, num lance que parece iniciar-se em fora de jogo, o Famalicão consegue reduzir. Instala-se a intranquilidade, há um canto contra o Sporting, Neto e Virgínia resolvem manter distanciamento social da bola e o Famalicão empata. Ouve-se um sonoro “foda-se!” por todo o país, antes de se perceber que o jogador minhoto estava em claro fora de jogo e que o Sporting, batendo o raio da equipa que parecia não conseguir bater, ficava a um ponto de atingir a final four da Taça da Liga, troféu que conquistou em três das últimas quatro edições.

I ain’t ‘fraid of no ghost
I ain’t ‘fraid of no ghost