Costuma-se dizer que “candeia que vai à frente alumia duas vezes”. Pois a “candeia” da actual direcção do Sporting está a alumiar muito pouco nesta altura e seria um alvo bastante acessível para um novo candidato às próximas eleições capitalizar o natural descontentamento dos sócios. O principal motor do clube é o futebol e se é verdade que a secção de futebol feminino, futsal, futebol de praia e escalões de formação estão a um nível bastante bom, olhar para as expectativas e a consequente realidade do futebol senior (equipa A e B) é um exercício de contemplação que dá poucos sorrisos a qualquer associado.

Este momento seria o ideal para Pedro Madeira Rodrigues ou outro qualquer afirmar um novo paradigma. Seria o “cenário perfeito” para contruir uma imagem diferente, sabendo que o contraste da ideia teria sempre uma vantagem enorme com o mundo real onde é obrigado a operar BdC. Mas infelizmente (e digo-o porque o Sporting só teria a ganhar com uma luta mais equilibrada) o candidato além de não estar a conseguir construir ideia nenhuma, não está sequer a passar a barreira do “suficiente”, preferindo passar este tempo fulcral para apresentar e defender novas ideias, a criticar o que está a fazer-se e foi feito. Não digo que não possa fazer, mas seria muito mais útil que nos estendesse a alternativa na mesma mão que nos serve a crítica.

Confesso que fiquei muito desiludido com a estratégia seguida por PMR no dossier JJ. Onde podia conquistar eleitorado preferiu esbanjar ingenuidade e se estivesse empossado, já a actuar como presidente, este candidato teria cometido um harakiri desportivo, talvez até mais grave do que costuma apontar ao presidente actual. Para quem afirmou ter um “estilo” diferente, uma forma diferente de olhar o futebol, soube a amargo o caminho que escolheu e, por exemplo, a mim passou-me a ideia de um homem, ou muito mal aconselhado, ou demasiado parecido com o tipo de gestão anterior a BdC, com muitos códigos de honra, mas pouco “jogo de cintura” para sobreviver na “luta na lama” que é o futebol português. Sinceramente PMR parece-me um bom homem, com um Sportinguismo indíscutivel, com alguma diferença com o modus operandi de BdC, mas parece-me em muitas coisas muito mais longe de “respirar” sucesso no actual contexto desportivo nacional que BdC.

Parece hoje óbvio a todos os Sportinguistas que algo correu mal e precisa de ser mudado na política desportiva do futebol profissional do Sporting. Há alicerces que não estão firmes, há hesitações no modelo de contratações, há muita dificuldade em avaliar talento capaz de figurar na equipa titular. A PMR bastaria exibir onde faria diferente, e mostrar-nos um esboço qualquer dessa diferença. Nada. Além do trivial “eu faria melhor”, vi pouco mais ao candidato. Talvez o seu maior erro seja mesmo, parecer estar completamente alheado da noção que tem de ter alguém a seu lado que entenda o futebol actual de forma transversal, com know-how factual do que é importante fazer e não está a ser feito. Ao invés, tem preferido tratar os temas mais “específicos” de forma superficial, como se não fosse importante para os que votam ter uma noção muito transparente do que se propõe mudar no eixo Equipa A – Equipa B – Academia.

Apesar de talvez ainda ir a tempo de dar muito mais dinâmica e profundidade à sua candidatura (e espero mesmo que o faça) PMR parece-me uma proposta imatura e desfocada, um candidato que depositou demasiadas fichas na insatisfação dos sócios quanto à postura e imagem criada na imprensa do tal “estilo” de BdC. Não entendendo minimamente que o palco dos jornais e programas de tv é um espaço muito reduzido e no qual a maioria dos adeptos desacreditam profundamente. Muitas vezes parece-me apontar mais a um nicho do que ao todo da nação leonina e essa é a forma mais errada de disputar uma eleição. Além de não suscitar dúvidas nos apoiantes da actual direcção, penso até que criou demasiado cedo anticorpos na mesma facção, principalmente quando não parece entender que seria mais fácil tomar muitas das “dores” da actual direcção em vez de as desvalorizar. É que os problemas de BdC não foram só criados por ele e muitos sócios sentem que somos mais vítimas que agressores. Apesar dos erros, os castigos têm sido severos e essa incapacidade para detectar as “feridas” onde nos dói mais, tem levado PMR a ignorar os sintomas em vez do que deveria ter feito, que seria, desde a primeira hora – apresentar-nos a cura.

Há uma forma diferente e mais promissora de se mostrar como será melhor Presidente do Sporting Clube de Portugal do que BdC? Há. Mas PMR ainda não a descobriu.

madeirarodri

*às quartas, o Leão de Plástico passa-se da marmita e vira do avesso a cozinha da Tasca