Está um dia da treta. Chove, tá frio, o dia está meio cinzento. Enfim…Meto-me no carro, abro o porta-luvas para tirar de lá uma cassete (o meu rádio ainda é dos antigos). Um gajo escolhe e escolhe e escolhe mas…vai sempre parar à mesma – aposto que já todos tiveram esta sensação. É aquela cassete que está sempre a tocar e que às tantas já enjoa mas mesmo assim…a malta não resiste. A que pus tem a etiqueta: “O Girão é mesmo muita bom GR!!!”….Que querem que faça???

Enquanto toca, vou-me lembrando do jogo em Paço d’Arcos. Epá, o gajo dá uma confiança do cacete à equipa. Não é um GR muito espalhafatoso, não anda cá a fazer defesas para a fotografia, nem tão-pouco tem aquela postura típica de GR que ocupa a baliza toda, mas que para se mexer fica mais difícil. (A propósito disto, hão-de reparar que é um GR com um estilo ligeiramente diferente da grande maioria. Sabem porquê? Porque, ao contrário dos demais, o Girão tem as 8 rodas dos patins do mesmo tamanho. Hein????? Como é que é???? Sim, quase todos os GR têm as rodas da frente mais pequenas do que as de trás. Isto facilita aquela posição de cócoras, de joelhos dobrados. Quando se lembrarem, tentem reparar neste pormenor…). Neste ultimo jogo, percebi efectivamente o que faz do nosso GR ó melhor – é que o gajo tem uma leitura de jogo fortíssima, sabe sempre para onde vai a bola, como vai ser a jogada, qual a ideia do(s) Avançado(s)….Lá no P.A, ele faz 3 / 4 cortes com o stick muito fortes. Ele já sabia que a jogada ia ser aquela e pimba, “Já fosteS”. Está sempre presente, sempre a incentivar os colegas (incentivar…hum…vá…dar-lhes na cabeça, como fazia o Schmeichel). Não deixa ninguém adormecer. Impressionante.

E enquanto a cassete toca, vou-me lembrando do Jogo de Sábado…Mais um jogo, mais uma vitória à equipa grande. Pavilhão quase cheio (50% do qual era verde-branco) equipa motivada, adversário difícil, confronto histórico… Todos os ingredientes para um grande jogo. E o jogo começou bem. Os primeiros 5’ com muita intensidade de parte a parte. Jogo rápido, agressivo q.b., com oportunidades para os 2 lados. Mas golos é que nem vê-los. O jogo segue na mesma toada e…Livre directo contra nós, aos 12’ de jogo (não me pareceu falta ali a meio campo, mas ok)…Olha, está a chegar aquela parte do refrão. Livre directo e “Defende Girão!”. Ficamos em Under-Play, o P.A pressiona e…”Defende Girão!”… Por esta altura, passámos mais tempo a defender (pouco agressivos) do que a atacar, os jogadores estavam um pouco apáticos e estávamos a ter dificuldades em ter a bola e chegar à baliza adversária. O João Pinto lá ia tentando umas picadinhas (neste jogo, parece-me que exagerou, mas deixo o comentário lá mais prá frente…), alguns remates dos restantes e pouco mais. Ainda temos um Livre Directo (que não convertemos) mesmo no último segundo da 1.ª parte. Vamos para o intervalo com 0-0 (e se há coisa que me faz doer o coração é ver um jogo de hóquei chegar ao intervalo com 0-0 – Então quando é no final…dá vontade de cortar os pulsos). Foi uma 1.ª parte muito complicada. Foi rápida, intensa, mas não muito bem jogada de parte a parte. Tivemos menos bola que o adversário, que foi ligeiramente mais perigoso do que nós, mas não muito. O resultado aceita-se.

Começamos a 2.ª parte com mais um jogador (power play). Ainda estou a ajeitar a parte da pedra onde me ia sentar, o Figueira olha para a baliza, culatra atrás…Pimba 0-1…(o Carlos Coelho – nosso GR no ano passado – não foi lá muito bem batido nesta bola, mas fez um bom jogo)…Zimboraaaa, que o mais difícil está feito. A partir daqui, é sempre a somar…”Sporting! Sporting! Só eu sei…!”…Fonix golo do P.A…porra pah, nem deu tempo de saborear o 0-1. (Aqui entre nós, foi um belo golo. A bola entrou “onde a coruja faz o ninho” – sempre gostei desta expressão). O jogo anima com estes golos. Novamente bola cá bola lá…Heish, quase golo do P.A, bola na barra…Segue jogo. Stickada aqui stickada ali, o Poka mete um balázio no poste (Essas não contam…só lá dentro). “Defende Girão!” e livre directo para nós, a 7’ do fim. É certo que não foi golo, mas senti que a equipa começou a crescer. Já agora, deixa-me lá trocar de cassete. Etiqueta desta: “Onde tu fores jogaaar”….Não sei porquê, esta cassete faz-me lembrar bem dos últimos minutos deste jogo.

A equipa cresce, a malta apoia cada vez mais (o apoio nunca parou, atenção!!!), está quase está quase…João Pinto atrás da baliza…Goooloooooooooo…1-2. Desta vez não foi picadinha (como disse à pouco, parece-me que o J.P exagerou um pouco desta vez nas picadinhas, o que é compreensível, já que no jogo com o Oquei, a coisa resultou. Mas é mesmo assim, só quem arrisca é que as mete lá dentro. Não foi de uma maneira, foi de outra…não interessa…)…A Vitória já não vai fugir…Heishhh, o P.A mete nova bola na barra…Tivemos alguma estrelinha nesta, confesso. Siga. Livre Directo para nós. O Poka enfia um balázio, faz 1-3 e acaba com o jogo (e que importante foi, pois estávamos à beirinha da 10ª falta)…”Onde tu fores jogaar…Eu vou lá estar…”. Grande ambiente no final do jogo. Os jogadores sentiram que foi um jogo muito complicado, muito suado. O Apoio na bancada foi fundamental, foi aquela força extra.

No geral, acho que foi a nossa partida menos conseguida. Mas infelizmente, nem sempre se conseguem fazer grandes jogos, aniquilar adversários, golos de belo efeito etc. Apesar de tudo…Ganhámos. E uma equipa grande também se constrói nestes jogos. Próximo adversário, Candelária – Sábado, 16h, no Livramento. Vai ser uma grande prova de fogo esta. O Candelária tem uma equipa muito experiente e com muita qualidade (apesar de ter um plantel curto e, do pouco que vi, um GR fraco). Temos de nos pôr a pau. Admito que este é o primeiro adversário que me causa algum “desconforto” vá. São fortes e jogam descontraídos, sem grandes pressões de tabela classificativa. Apesar de tudo, são uma equipa de altos e baixos e, como tal, o jogo pode correr ou muita bem ou muita mal (Olha, bela verdade de La palisse. Ou corre bem ou corre mal!!! Jura…) Mas esta é a melhor expressão para a equipa do Candelária. Tanto são capazes de empatar 7-7 em Valongo, como levar 10 no fcp. A malta percebe.

A onda verde continua. A força transmitida para a pista aumenta a cada jogo. A confiança dos jogadores também…e a minha cassete continua a rodar: “Onde tu fores jogaaar…eu vou lá estaaar”…

 

*às quintas, o Tó Livramento irrompe pela cozinha de stick na mão e patins vintage nos pés