E foi dia de Leões a começar pelos dois emblemas que se defrontavam e a acabar nos reencontros de campeões que tantas alegrias nos deram. Se há equipa que gostava que disputasse a final do playoff com o Sporting é esta dos Leões de Porto Salvo. Não me esqueço dos nossos ex-jogadores e de tudo aquilo que nos deram. Djô era o nosso caça-pivots e Paulinho era o nosso “acelerador” no início deste nosso domínio no futsal. E não há nenhum Bébé no Mundo que me faça perder o carinho por eles.

O cinco escolhido para iniciar o jogo foi este: Guitta, João Matos, Alex, Merlim e Rocha e iniciámos o jogo em pressão alta, como é normal e rapidamente começámos a criar várias situações de transição e/ou finalização. Merlim, que esteve uns furos abaixo do habitual, começou logo a explorar o seu isolamento para 1×1. Confesso que sendo grande fã do nosso mago, acho que está a explorar demasiadas vezes esta opção e a equipa nem sempre ganha com isso, o que aconteceu hoje. Estranhei o porquê de continuar a insistir, cheguei a contar cerca de 5 posses de bola seguidas em que o fez, praticamente todas sem sucesso. Sinceramente, não gostei. Mas Merlim é Merlim e todos sabemos do que é capaz. O jogo manteve-se nesta toada com o Sporting por cima e com Guitta a mostrar mais uma vez o acerto da sua aquisição parando as poucas finalizações que os LPS conseguiam neste período, em especial um grande remate já dentro da área de Djô.

O golo tardava em aparecer e o adversário conseguia, não só fechar a sua baliza mas também criar transições. Antes dele chegar fomos brindados com o regresso de Cardinal que entrou igual a si próprio, desconcentrado e a perder uma bola que não deu golo por pouco e logo a seguir rematar ao seu estilo num canto e ainda um grande remate de Cary, que esteve particularmente forte nas acções de finalização.

O placar abre com um grande golo de Déo, que tem estado fantástico nos últimos jogos. O “pivot” recebe de costas, ganha espaço ao adversário e finaliza de pé esquerdo num lance que devia estar em todos os manuais de futsal. Mas quando parecia que estava feito o mais difícil e que carregaríamos para o segundo golo, não aproveitámos o momento e deixamos o jogo equilibrar até que Bébé fez uma grande jogada criando o desequilíbrio e a superioridade numérica em transição que deu o golo do empate. Outro grande golo de puro futsal.

Nesta altura os LPS cresciam no jogo mas havia um diabo à solta chamado Déo que quase sozinho conseguia destroçar quem lhe aparecia à frente. A jogada em que tira três adversários do caminho para picar por cima de Bébé merecia ter entrado mas passou centímetros ao lado. Mas era o único pois os seus companheiros acumulavam alguns erros individuais. E é o próprio Déo que falha um golo inacreditável com grande defesa da Bébé permitindo o empate ao intervalo. Não foi uma boa primeira parte do Sporting em termos de consistência apesar de grandes momentos individuais, sobretudo de Déo.

Tudo mudou na segunda parte. Voltámos a entrar fortes com Cary a destacar-se na finalizações e com a equipa a mostrar intenção de trabalhar melhor as posses de bola aumentando o tempo de ataque. E eis que entra em cena esse comentador de seu nome Catita. Se na primeira parte abordou várias vezes o nosso mau jogo colectivo, o que não me incomodou muito pois não estava a mentir, nesta segunda parte abriu o livro. Sempre a criticar a equipa, a forma de enquadrar os reforços, o Guitta não subir com bola, as opções do Nuno Dias, foi um fartote. Por isso mandei um “Chupa!” que se ouviu no prédio todo quando Guitta sobe com bola e remata ao segundo poste onde está Alex para encostar fazendo o 2-1. E foi neste período que começámos então a carregar com total ausência de comentário ao jogo por parte do Catita que divagava sobre a política desportiva do futsal do Sporting e a qualidade do nosso jogo. Esta toupeira do futsal é irritante. Vejam só o cúmulo que foi se até a intenção de João Matos num remate ao poste que toda a gente viu a intencionalidade ele duvidou.

Mas a verdade é que o jogo “acabou”. Não no resultado mas antes na capacidade do adversário voltar ao mesmo. E foi sem surpresa que Déo, em mais uma brilhante jogada coloca a bola ao segundo poste onde Alex encosta de peito para o 1-3 e ainda o clássico remate de Léo a fazer o quarto. Nos últimos minutos ainda houve tempo para a entrada do miúdo Sévio que ainda deu um ar da sua graça numa jogada individual e a segunda parte termina sem grande história. Ou melhor, a história foi grande com um domínio total do Sporting mas infelizmente quem estava lá para a contar optou por divagações sem sentido.

Destaques

Déo
Foi o MVP. Fez o que quis o jogo todo e brindou-nos com momentos de pura magia. Está como o vinho.

Alex
Começa a demonstrar toda a sua qualidade nos pormenores e cresce a olhos vistos. Vai ser muito importante ainda este ano

Cardinal
Está de volta. E isto diz tudo sobre o impacto que pode ter no nosso futuro, sobretudo na Europa. A classe a segurar a bola continua lá toda.

*às quintas, o Sá mostra que manda mais do que o Albuquerque e põe as novidades do Futsal todas na ordem