O sardinha verde puxou para a caixa de comentários, um texto escrito pelo Captomente no blogue «Com quem é que joga o Sporting?» e que encaixa, na perfeição, no post anterior.

 

MARQUES POMBAL«Já sabia que o Benfica seria campeão há meses mas o momento da sua concretização custa sempre a engolir. Será um campeão justo (não os são todos?) mas fica um amargo de boca devido a alguns empates do Sporting e que, caso tivéssemos ganho esses jogos, talvez o Porto-Benfica da última jornada voltasse a ser tão decisivo como o da época passada o foi…

A festa dos lamps. É um misto de “wtf?” com “lol…”. Nos anos 70, quando o Atlético de Madrid foi campeão algumas vezes, os adeptos “rojiblancos” dirigiam-se para a famosa Praça Cibeles para comemorar junto à estátua no centro da Praça, a Fonte de Cibeles, onde se vê a DeusaCibele, sentada num coche e este a ser puxado por… dois leões. A partir daí, os adeptos do Real Madrid começaram a festejar as façanhas da famosa equipa dos aos 80, a “Quinta del Buitre”, também na Praça Cibeles. Mas os adeptos “rojiblancos” continuavam a lá ir comemorar quando ganhavam algum título.

Com uma seca de títulos durante alguns anos, quando o Atlético de Madrid, em 1991, chegou à final da Taça do Rei desse ano, contra o Maiorca, os adeptos do Atlético declararam publicamente que “no tienen intención de ir a Cibeles si su equipo gana la Copa, ya que sus aguas ‘están infectadas después de que durante 5 años seguidos los madridistas hayan estado bañándose en ellas’” e decidem que, a partir de agora, comemorariam os títulos junto à Fonte de Neptuno, a poucos metros da Praça Cibeles.
E pronto, no ano seguinte, quando Paulo Futre ergueu a Taça do Rei no campo do Real Madrid, os adeptos “rojiblancos” encheram a Fonte de Neptuno e deixaram de ir para a Praça Cibeles. De notar que, até então, os jogadores dos clubes vencedores não tinham o hábito de ir ter com os adeptos à Praça/Fonte.

94/95, Real de Madrid campeão e 12.000 mil adeptos “blancos” invadem a Cibeles. Ainda sem jogadores.
95/96, Atlético de Madrid campeão e vencedor da Taça do Rei, e 40.000 adeptos invadem Neptuno. Pela primeira vez, o autocarro com os jogadores desloca-se ao local de modo a comemorarem o título junto com os adeptos.
96/97, Real campeão e 50.000 adeptos deslocam-se para uma Praça Cibeles completamente protegida e controlada previamente, de modo a que o autocarro com os jogadores chegue ao local sem problemas.

Diz o autor do texto de onde retirei as informações acima dadas: “¿Por qué se pasa en dos años de ir 12.000 madridistas a Cibeles a ir más de 50.000? ¿Tenían razón los radicales rojiblancos en que sus vecinos les copiaban todo? El caso es que esa temporada fue el final de estas celebraciones espontáneas. El aumento de público en estas celebraciones, gracias al bombo que los medios de comunicación le fueron dando, acabó con la magia que había en ellas a cambio de organización, artificialidad y asistencia masiva.”

E ainda diz mais: “Se ha perdido cualquier celebración natural, alegre, simpática y espontánea, y la marcha a Cibeles (a Neptuno por razones obvias no lo menciono) se ha convertido en cita obligada y artificial. Muchos periodistas dan a entender que son tradiciones casi centenarias, desconociendo la verdadera historia, y por ende, mantienen engañado al aficionado que cree estar obligado a pasar horas y horas restregando su sudor contra miles de colegas de equipo, para ver durante breves momentos a 100 metros de distancia a sus ídolos. Ya no hay equipos que no dispongan de ‘su fuente’ para celebrar títulos.”

Para terminar com: “No quiero transmitir una moraleja errónea. No llamo tontos a los que van a Cibeles, Neptuno o como quiera que se llame la fuente de su pueblo, válgame Dios. Lo que quiero es que cuando uno vaya allí, que conozca la historia, que sepa cómo empezó todo, y que cuando le diga un periodista que la Cibeles es el monumento donde tradicionalmente los madridistas festejaron sus logros, que sepa que está oyendo a un ignorante en la materia, y que antes de que se dijeran estas tonterías, el aficionado lo celebraba dónde, cuándo y como le daba la gana. Para saber a dónde vamos hay que saber de dónde venimos.”

Quero terminar dizendo que não quero que comecemos a comemorar os nossos títulos noutro sítio qualquer, pois o Marquês está “infestado” ou algo do tipo. Não, o Marquês é nosso, foi lá que tudo começou, em 2000, inclusive com um tal de Iordanov, às 5h da manhã a colocar um cachecol do Sporting no Leão da estátua, e portanto, temos de o reaver. Que nos gostam de imitar? Claro, não é novidade nenhuma, o próprio Benfica de Cosme Damião foi criado com o Sporting a ser utilizado com modelo e olhado com reverência, por isso, até podemos olhar para a “praga de gafanhotos” de ontem no Marquês como um elogio ao Sporting e aos Sportinguistas.
Mas como estava a dizer, o Marquês é nosso, foi construído por dois ex-jogadores do Sporting e um deles até era sócio do clube, e como tal, para o reavermos, só há uma hipótese: sermos Campeões!»

 

* “eu ouvi o teu comentário” é servido, com pinta, quando tiver que ser. Ou, se preferirem, quando o homem do balcão for capaz de distinguir uma bela “estória” do tinir dos cabrões dos copos e dos pratos de barro, a sair da máquina de lavar.