No espaço de duas semanas, o Sporting ganhou pela segunda vez ao Braga, agora na Pedreira, num jogo onde o adversário teve carta branca para bater e onde os leões acabaram com dez. Jovane e Pote fizeram os golos, Matheus Nunes foi gigante, Adán e Coates seguraram os três pontos, numa enorme prova de maturidade e personalidade

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“Pessoal, hoje recuamos as linhas e em vez de pressionar alto deixamos os centrais do Sporting sair a jogar. Depois fechamos tudo! Corredores, para impedir os laterais de subir, e marcamos sem dó o Palhinha, o Matheus e o Pote e batemos o que tivermos que bater! Ouviram? Se for preciso não ficar um deles de pé, não fica!”

Aposto convosco que a palestra do Carlos Carvalhal foi muito próxima disto, por certo completada pelas palavras simpáticas de Fransérgio, também ele farto de perder com o Sporting desde que 2021 ganhou vida.

E, assim, com a complacência de Luís Godinho, rapaz que há um ano tinha deixado por expulsar Zaidu em Alvalade, após agressão a Porto, e que expulsou Peter Potter por ter espirrado, em Famalicão, o Braga bateu o que quis. Destaque óbvio para Raul Silva, primeiro a varrer os dois pés a Potter, depois a varrer Paulinho com direito a calduço de mão fechada. Duas agressões, um amarelo. Fantástico!

Galeno também molhou a sopa dando nas vistas, mas toda a equipa bracarense estava afinada para não deixar jogar. E jogou-se pouco efectivamente, durante a primeira parte. O primeiro bruá veio de uma cabeçada de Coates, após canto, a resposta veio de um remate de Piazon com direito a recarga.

Até que a bola caiu em Esgaio e o lateral fez um cruzamento largo ao segundo poste, onde apareceu Jovane em voo a fazer um belíssimo golo de cabeça. A cinco minutos do intervalo o Sporting ganhava vantagem e motivação extra para os segundos 45 minutos, pese a tentativa de Fábio Martins se candidatar a golo do ano.

E foi precisamente o que aconteceu: o Sporting entrou para a segunda parte empenhado em matar o jogo e ampliou a vantagem numa jogada colectiva a merecer aplausos: a variação de flanco de Palhinha, a recepção de Jovane, o movimento de Potter a criar linha de passe onde sabia que ia poder enquadrar-se com a baliza e fazer mais um golo em jeito. 2-0.

O Sporting meteu o jogo no bolso ( impressionante a presença de Matheus Nunes a defender e a atacar) e os minutos iam passando sem que o Braga se assomasse da baliza leonina, até que Matheus Reis, entretanto entrado para o lugar do esgotado Vinagre, viu o segundo amarelo. Faltavam dez minutos, Carvalhal metia lá para dentro todos os homens de ataque que podia meter e o Sporting recuava estranhamente as suas linhas para terrenos demasiado próximos da sua área.

O Braga teve, então oportunidade de levar a bola sem pressão até ao último terço e foi hora de Adán brilhar por duas vezes. À terceira, a bola chegou à cabeça de Ruiz,que reduziu ao segundo dos sete minutos de desconto dados pelo árbitro (que seriam oito).

No tempo que restava, Coates cortou uma, duas, três, quatro. Tudo o que ia para a área com selo de perigo, era cortado pelo capitão, como se gritasse bem alto a tudo e todos, the Champ is Here!