Quando, hoje, os adeptos leoninos analisarem o jogo que valeu a eliminação da Taça da Liga, frente ao Setúbal, a paupérrima exibição da primeira parte será um dos pontos em cima da mesa. E com razão. A verdade é que sem alguns dos seus habituais titulares, a equipa voltou a dar sinais negativos, não conseguindo ligar jogadas ou transformar a posse de bola em algo efectivamente perigoso, salvo a enorme oportunidade de golo desperdiçada por Elias, que com o guarda redes fora da baliza viu o seu remate ir na direcção de um defesa.

Antes disso, ainda o jogo se espreguiçava, já o Vitória de Setúbal punha a nu as dificuldades defensivas da equipa leonina e obrigava Beto a uma belíssima defesa. E foi essa incapacidade de estancar jogo adversário a meio-campo, conjugada com a liberdade dada aos adversários nas faixas laterais que valeu mais dois ou três calafrios ao longo dos primeiros 45 minutos. Curiosamente, o golo sadino surgiria de bola parada, com os jogadores do Sporting completamente a dormir e a deixar que o mesmo jogador ganhasse a bola de cabeça e depois fizesse a recarga para o golo. E por tudo isto, ao intervalo, a vantagem setubalense era justa.

Jorge Jesus tinha que mexer e lançou Bas Dost e Gelson para o lugar dos inexistentes Bryan Ruiz e Markovic. E o primeiro sinal de que a equipa vinha diferente foi dado logo aos dois minutos da segunda parte, com uma arrancada de Campbell pela esquerda que acabaria com Castaignos a introduzir a bola na baliza, num lance mal invalidado por inexistente fora de jogo do costa riquenho. Com o relógio a correr, o Sporting tomava conta do jogo e encostava o adversário lá atrás, não permitindo, sequer, os venenosos contra-ataques do primeiro tempo. Bas Dost ia mostrando que a qualidade de um ponta-de-lança vai além dos golos que marca, abrindo espaços e assistindo a preceito os seus colegas. Foi assim que o André falharia um remate à entrada da área, foi assim que Elias se redimiria do desperdício do primeiro tempo e marcaria um bom golo que dava o 1-1 e garantia a passagem às meias finais da prova.

Faltavam cerca de 12 minutos para o jogo terminar e o Sporting tinha o jogo na mão. Tanto, que continuou a criar situações de golo. Em ambas, André falharia escandalosamente, primeiro a passe de Bas Dost, depois a passe de Campbell. E de escândalo em escândalo, chegaríamos ao escândalo final. Já o relógio contava o tempo de desconto, Rui Oliveira vestiu a pele de carteiro desta Taça CTT e entregou a encomenda, assinalando um penalti que só ele e o assistente viram e que colocou o Sporting fora de uma prova que, ano após ano, se revela um espelho fiel do que é o futebol português.

ruioliveira